Discursos

05/10/2011

Discurso de Abertura - XVII Encontro Nacional do PEA - UNESCO

Prof. Tales de Sá Cavalcante

Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito

Senhoras e senhores,

Boa noite.

A Organização Educacional Farias Brito vivencia hoje um momento magnífico. Em seus setenta e seis anos, esta é a primeira vez que apadrinhamos um evento desta dimensão. Com imensa alegria, acolhemos ilustres educadoras e educadores, representantes da maioria dos estados brasileiros, todos dedicados à mais nobre das ações humanas: a solidariedade entre povos e nações.

O Farias Brito, em nome das escolas de nosso Estado filiadas ao PEA – Programa de Escolas Associadas da UNESCO –, tem a honra de saudar todos os presentes com a expressão que dá mais prazer a quem é do Ceará: sejam bem-vindos. Disponham da hospitalidade do nosso Comitê de Boas-Vindas, formado por colaboradores de educandários cearenses do PEA para atendê-los.

Para Claudio de Moura Castro, “os professores são, em sua essência, contadores de histórias, e o maior destes foi Cristo. Em segundo lugar, Walt Disney.” Permitam-nos, portanto, como ex-professor, sempre a reagir à situação de ex, contar a história de uma grande mulher.

Era uma vez, uma senhora que nasceu em 16 de novembro de 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial. Ela sonhava em ver suas ideias difundidas por todo o mundo. Ao escolher uma cidade para morar, decidiu por Paris, aquela que hoje é a verdadeira capital simbólica da Europa e algo fabuloso, colossal, como sonhou Napoleão I, o imperador que dizia fazer a guerra para obter a paz. Já a nossa protagonista faz a paz para conseguir a paz. Talvez por isso, nossa heroína sempre ganhou, enquanto Napoleão ora ganhava, ora perdia e, em vista disso, assim se referia à bebida champagne: “Nas vitórias, nós comemoramos com ela. Nas derrotas, nós precisamos dela.”

A nossa personagem escolheu bem onde morar. Paris é sonho de cidade para quem ainda não a conhece e cidade sonho para quem lá já foi e sonha em lá voltar. O poeta Pierre Darc, ao elogiar a capital francesa, indagou: “Que outra cidade se não for Paris? De que outra cidade no mundo se poderia dizer a mesma coisa?” “Paris, cidade universal”, conforme Goethe. Paris, tão destacada no Iluminismo, que, ainda hoje, é conhecida como Cidade Luz.

Paris, cidade também preferida por Voltaire, Van Gogh, Victor Hugo, Monet, Renoir, Sartre, Simone de Beauvoir, Hemingway, Scott Fitzgerald e tantos outros. Paris, tão magnânima, que as margens do rio Sena, de tão belas e históricas, são consideradas pela UNESCO patrimônio da humanidade.

A senhora de nossa história trata todos como se fossem filhos seus e, por isso, opõe-se aos que, maquiavelicamente, usam seus fins para justificar os meios, muitas vezes, guerras.

Ela reside em Paris, mas é cidadã do mundo e prioriza a solidariedade, irmã da fraternidade, que compõe com a liberdade e a igualdade o lema da Revolução Francesa.

Para o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, “o ser humano é inviável”. A nossa protagonista, porém, sempre defendeu que os humanos são viáveis sim, e o são, principalmente, por serem os principais agentes de transformação do próprio homem. É quando se dá o grandioso momento da educação.

Nossa personagem está sempre a lutar pelo estado de direito, pelas liberdades fundamentais e pelos direitos humanos, que são confirmados pela Carta das Nações Unidas para os povos do mundo, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião.

Para Bertold Brecht, “existem pessoas que lutam um dia e são boas. Existem pessoas que lutam um ano e são melhores. Existem pessoas que lutam muitos anos e são muito boas. E existem pessoas que lutam a vida inteira: essas são as imprescindíveis.”

A grande dama a quem nos referimos está na categoria dos seres imprescindíveis. Ela é conhecida em Paris por Madame UNESCO, e seu nome completo é: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

A UNESCO se notabilizou ao criar condições para o intercâmbio entre as civilizações, as culturas e os povos, sempre a respeitar os valores partilhados. Assim, o mundo poderá conseguir desenvolvimento sustentável e redução da pobreza, com a observância dos direitos humanos e do respeito mútuo, por meio do diálogo intercultural, da educação, da ciência, da cultura, da comunicação e da informação.

Em 1953, a UNESCO criou o PEA – Programa de Escolas Associadas, atualmente, presente em 180 países, com mais de 9.000 instituições educacionais agregadas, 301 delas no Brasil.

Com uma educação de qualidade para as crianças e em busca da paz, da liberdade, da justiça e do desenvolvimento humano, formaremos futuros homens solidários, como Nelson Mandela, para quem “a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo.”

Segundo a UNESCO, essas escolas, movidas por todos nós, seus líderes, são “navegadoras para a paz” e agentes de mudança positiva. É, portanto, nosso compromisso fazer com que elas conjuguem o verbo aprender, construindo os quatro pilares da UNESCO para a educação do século vinte e um: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.

Com certeza, conjugaremos bem o verbo aprender nestes três prazerosos dias. Primeiro, pela exemplar capacidade de nossa líder, Myriam Tricate, e, segundo, pelo elevado nível de nossos palestrantes, todos escolhidos ou aprovados por nossa coordenadora-geral. Por sinal, o Farias Brito tem a grata satisfação de receber ilustres conhecidos seus como palestrantes da abertura e do encerramento deste congresso.

A abertura será feita pela Secretária de Educação do Ceará, professora Izolda Cela, ex-aluna e ex-psicóloga do Colégio Sobralense, Escola hoje por nós administrada sob o nome de Farias Brito Sobralense, e ex-aluna do Farias Brito Aldeota, na época Colégio São João. A professora Izolda representa o governador Cid Gomes, também ex-aluno do Colégio Sobralense e impossibilitado de comparecer. A palestra de encerramento será ministrada pelo ex-aluno do Farias Brito e nosso colega de turma Raimundo Lopes Fagner. Eles têm muito a nos ensinar, pois aprenderam bem a conhecer, a fazer, a ser e a conviver e aplicam os seus ideais em sincronicidade com a UNESCO.

Com as lições de Cid Gomes, de sua representante, Izolda Cela, de Raimundo Fagner, dos demais palestrantes e da professora Myriam, aprenderemos muito e transmitiremos aos nossos liderados a mensagem contida no preâmbulo da Constituição da UNESCO: “Como as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas.” E então poderemos imaginar ser possível o mundo como queria John Lennon em Imagine: “Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz… Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo… Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós, e o mundo será como um só.”

Conforme os anseios de John Lennon, façamos deste Encontro a primeira célula, e o ser formado será um só mundo.

Bem-vindos ao Ceará.

Muito obrigado.

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