Artigos

14/03/2019

SOBRE FALAR E ESCREVER

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 14/03/2019 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

 

“A fala e a pena – para além do bonde” constituiu-se na minha primeira incursão pela seara das publicações de livros. E, sem saber, iniciava um exercício que viria a se tornar uma rotina em minha vida, a reflexão entre a pulsão, por vezes, a fala e a escrita.
 

O livro reúne alguns de meus artigos, discursos, opiniões e entrevistas. O título é uma homenagem a meu pai, Ari de Sá Cavalcante, que, entre 1943 e 1948, escreveu no jornal “O Estado”, sob o pseudônimo de Tales, a coluna “Para ler no bonde”.
 

Na atualidade da geração do conhecimento, inserida no olho do furacão de uma incessante revolução tecnológica, com leitores bem ágeis, a leitura passou a ser para muito além do bonde. Então, mais importante ainda é a reflexão entre a pulsão e a fala e também entre esta e a escrita, inclusive nas redes sociais, sempre a lembrar Paulo Freire, quando nos instrui: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”
 

Um provérbio chinês ensina sobre as três coisas na vida que nunca voltam atrás, a flecha, a palavra e a oportunidade. Se a palavra falada é como a flecha lançada, a palavra escrita é a oportunidade que não se pode perder. Tanto para a clareza da expressão de quem escreve quanto para merecer a atenção de quem vai ler. A fala é, muitas vezes, um ato instintivo. Por isso, é tão difícil seguir o conselho de nossos pais, para que pensemos bem antes de falar.
 

Quantos constrangimentos, mal-entendidos, ruídos de comunicação poderiam ser evitados se pensássemos mais e falássemos menos. Portanto, escrever é uma arte da prudência, atributo cada vez mais incomum em nossa sociedade de flechas atiradas inconsequentemente, de oportunidades perdidas para a pressa, que não raro nos impede de realizar o exercício reflexivo que aprimora o pensamento e nos torna capazes de melhor contribuir para a discussão e o entendimento dos temas que nos mobilizam.
 

Que sejamos seres pensantes, mais do que falantes e mais ainda do que escritores. Assim, nossas palavras escritas deixarão um legado.
 

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